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BR - 135 e a disputa com a elite da Marinha

  • 23/01/2019 15:16

Por: Lúcia Magalhães

Quando o Bonatto me chamou para participar da Br135 ultramarathon completando um time de quatro pessoas mais o carro de apoio, achei interessante ir por que nunca tinha participado de uma prova tão longa, e também por que adoro uma novidade. O César, meu marido, já tinha feito apoio mais de uma vez para um amigo nessa prova então ele era a pessoa perfeita para fazer nosso apoio.
     
Até o momento da largada da prova na minha cabeça iriamos correr em ritmo confortável e fazer uma prova tranquila. Claro que a gente sempre vai para o melhor né, mas não passava pela minha cabeça que iria ter que dar o meu melhor de toda vida nessa prova. Largamos os quatro integrantes juntos por que tínhamos que completar um trecho de 33 km a equipe toda. Esse trecho percorremos de maneira mais conservadora e foi a melhor coisa que fizemos, pois mais adiante tivemos condições de crescer na prova enquanto muitos que forçaram no início foram mais devagar.

Depois dos 33km que fizemos os quatro juntos, era uma regra da organização nesse trecho, começamos o revezamento de maneira tranquila fazendo a troca de atleta a cada 8/10km aproximadamente. Sempre que chegávamos em um ponto de controle perguntávamos quanto tempo o quarteto da marinha, que a gente sabia que era a equipe de elite deles, estava na nossa frente. Eles estavam mais de uma hora na frente no início da prova então ficamos relaxados só curtindo a corrida, íamos buscando os quartetos, duplas e os solo devagar sem grandes alardes. Em determinado momento já inicio da noite encontramos o carro do quarteto da marinha, eles estavam parados enquanto o atleta deles estava correndo sozinho. O carro deles havia quebrado e pediram ajuda nossa para ir buscar uma ferramenta. O Cesar levou um dos garotos da equipe deles onde precisava ir e nisso nosso atleta veio chegando.
               

A partir dai fomos ganhando força por que percebemos que eles estavam vulneráveis, e nosso instinto competitivo aflorou de tal maneira que resolvemos sair da zona de conforto em busca de alcançar o atleta deles que estava correndo sem o carro de apoio naquele momento.  No próximo PC estávamos a 40min do atleta deles, para quem esteve mais de uma hora atrás e com o tanto de prova que ainda tinha pela frente percebemos que íamos chegar. Quando no PC seguinte vimos que faltava apenas 23 min para buscar o atleta, nessa altura o carro da marinha que acompanhava uma dupla deles teve que largar essa dupla e ir fazer o apoio desse quarteto que estava na frente, pois eles perceberam que estávamos chegando. E estava perigoso para eles.

A partir desse momento resolvemos aderir a estratégia de tiros de 1km para cada integrante estávamos em três revezando nesse momento por que um integrante dormiu, em alguns momentos é normal alguém da equipe ter uma baixa de sono. Um corredor saia do carro e corria 1km “no pau” entrava no carro e já saia o outro na caça por mais um km intenso. E fomos assim até chegar no carro da equipe deles quando vimos o atleta da marinha que estava correndo. Pronto! Alcançamos! Agora, era administrar a adrenalina e partir pra cima.

Quando nosso atleta chegou lado a lado com o corredor deles começamos um revezamento a cada 300/200m aproximadamente em uma intensidade absurdamente forte, pois os meninos da marinha com muita raça deram tudo de si e começaram a correr ombro a ombro com a gente foi como se estivéssemos em uma disputa de prova de pista. E nessa pegada furiosa seguimos por aproximadamente uma hora e meia até a cidade seguinte onde teria um PC com comida e onde precisávamos tomar um folego.

A equipe da marinha continuou na saga com força e nós “quebramos” um pouco e paramos para comer. Depois sem muita demora, continuamos nossa jornada com menos
 intensidade, porém, focados em fazer a prova em menos de 25horas. Nosso integrante acordou, e seguimos o revezamento normalmente e nosso atleta que dormiu cresceu e nos ajudou muito por que estávamos cansados e ele pode “tocar o barco” contribuindo significativamente para alcançarmos o objetivo das 24h. A BR é assim, enquanto um descansa os outros trabalham e assim se reveza. Chegamos em Paraisópolis (chegada) 24horas e 41min depois da largada cansados e felizes. Nosso time viveu momentos incríveis e inesquecíveis de muita disputa, garra e diversão. Não perdemos o bom humor em nenhum momento, foi incrivelmente leve, intenso e ficamos gratos e animados com a segunda colocação geral da prova. Obrigada a todos da equipe, ao nosso apoio essencial do César e da excelente organização. VALEU!!


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